Sábado, 29 de Março de 2008

III. Se me amas.

    

 

     Apesar de não viverem juntos, Liana e Sebastian dormiam juntos várias vezes por semana. Normalmente em casa dele, mas hoje Sebastian tinha telefonado a perfuntar se podiam sair e depois irem para casa dela.

     Enquanto Liana arrumava o seu quarto, pensava no que vestir. Sebastian deu a entender que iam a um restaurante um pouco formal. A primeira coisa peça de roupa que Liana se lembrou seria apropriada foi o vestido preto, curto, que ela tinha escolhido com Rita no 11º ano. Foi o mesmo vestido que Rúben ajudou a despir nessa noite. A noite em que Liana perdeu a virgindade por alguém que a estava a usar.

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- Liana?

- Sim Rita.

- Planos para esta noite?

- Sim, vou sair com o Sebastian. E sabes o que vou levar vestido?

- Não, mas tenho a certeza que te fica a matar, como tudo o resto!

- O vestido preto que comprámos no 11º...

- E isso não te traz recordações?

- Traz. Mas preciso de esquecer isso tudo e perder o meu medo. Acho que tens razão naquilo que me disseste de manhã.

- Óptimo Liana! Diverte-te. Trata bem o meu irmão...

- Ok, vou tentar. Tenho de desligar, ok? Ele deve estar a chegar.

- Ok 'miga. Beijinho.

- Xau, obrigada.

     Depois de maquilhagem aqui e ali, Liana olhou-se ao espelho.

- Nem está nada mal.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

- Já te disse que estás muito gira não já?

- Já, umas 10 vezes - respondeu Liana enquanto sorria.

     Sebastian estava a tentar o máximo por não pegar em Liana, beijá-la e dizer-lhe que não era igual aos outros. Mas o objectivo era ele fingir que não sabia de nada. Já era um milagre Liana estar a responder positivamente aos seus elogios. Era aproveitar enquanto dura.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

- O jantar estava óptimo, obrigado.

- Não fui eu que o cozinhei, tens de agradecer ao cozinheiro do restaurante. :P

- Tens razão. Mas foste tu que pagaste e escolheste o restaurante.

- Por mim repetíamos todas as semanas.

     Liana olhou para Sebastian. Havia esperança, um brilho nos olhos dele, mas algo mais... amor talvez? Como é suposto ela saber se nunca lhe tinha sido esse sentimento demonstrado?

- Ias à falência!

- Pois, isso é verdade. Mas podemos ir agora para tua casa e não se paga nada. ;)

- Vamos - respondeu Liana. E pela primeira vez em 3 meses, andaram de mãos dadas até ao carro.

sinto-me:

publicado por Do outro lado do oceano às 01:29
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

II. Um novo começo.

- A minha mãe vai casar-se Rita! Com 39 anos, 20 anos depois de me ter tido, 15 anos depois do seu último namorado... E tu achas normal?!

- Acho! Se eles já namoram há muito mais de um ano e se estao felizes e se amam, porque não?!

- Será que eu sou a única pessoa que está a ver as coisas como devem ser?!

- Não Liana, tu és a única que vê tudo o que é suposto ser rosinha e perfeito a preto e branco! Eu não sei como o Sebastian te atura...

- Eu também não sei como ele me atura. Já lho disse. E perguntei também porque é que ele não me deixa.

-TU FIZESTE O QUÊ?! Liana, nós precisamos de falar...

     Rita, para além de ser a melhor amiga de Liana, era também meia-irmã de Sebastian, que foi adoptado pela família quando tinha 3 anos.

- Liana, o meu irmão adora-te. Ele não é como os namorados que a tua mãe teve, nao é como o teu pai que não conheces, não é como o Rúben!

- Não digas o nome dele! Por favor...

     Sempre que o nome Rúben era pronunciado, ódio tomava conta de Liana... Como Sebastian dizia, so mesmo os seus olhos permaneciam serenos.

- Porquê Liana? Porquê tanto medo? Já é tempo de esqueceres sequer que ele existe e deixares o Sebastian gostar de ti.

- Não é medo! É... é... não quero sofrer outra vez!

     O telemóvel de Rita começou a tocar. Era Sebastian. Tinham combinado almoçarem juntos.

- Liana, o Sebastian vai tratar-te bem se o deixares. Tenho de ir amiga. Xau

- Adeus...

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     Sebastian esperava sentado numa mesa na área de restauração do Centro Comercial pela irmã. Rita e Sebastian tentavam almoçar juntos pelo menos uma vez por semana, o que às vezes se tornava uma tarefa difícil porque os dois estavam a tirar cursos diferentes em universidades diferentes.

- Olá maninho!

- Olá maninha! Então como vai a minha Engenheira preferida? 

- Cala-te! - Brincou Rita enquanto se ria. Sebastian estava a tirar Medicina e sempre foi desde pequeno o menino prodígio da família. Isto foi uma razao para alguma inveja da parte de Rita quando eles eram mais novos. Mas agora com 20 anos, Rita tinha um orgulho enorme em ter Sebastian como irmão um ano mais velho.

- Então que vamos almoçar?

- Não sei senhor Doutor, mas deve recomendar-me alguma coisa saudavel não?

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

- Então Sebastian, como vão as coisas com a Liana?

     Os olhos azuis de Sebastian escureceram de imediato. Era um sinal que a irmã reconhecia como sendo tristeza.

- Não sei, não percebo a tua melhor amiga. Mas tu também continuas a não me explicar não é?

- Sebastian, eu já te disse que só não te contei nada porque a Liana pediu-me para não o fazer. Mas eu estou cada vez mais preocupada com ela e acho que se souberes podemos ajudá-la.

- Mas é assim tão grave? É alguma coisa de saúde? O que é que eu posso fazer?

- Calma...

     Rita começou por contar a história da mãe e do pai de Liana. Depois o namorado da mãe quando Liana tinha 5 anos. E depois, Rúben.

- Eles conheceram-se no final do 10º, quando o Rúben foi para a nossa turma... Passaram de amigos a namorados, de namorados a uma obcessão da parte dela. E ele fez dela tudo aquilo que quis. Traiu-a, acabaram, recomeçaram quando ele quis, mais traições, roubou-lhe dinheiro, acabaram e eu convenci-a a nunca mais recomeçarem... E não, nunca mais houve nada. Mas por umas duas vezes depois disso ele obrigou-a a ir para a cama com ele. Eu insisti para ela ir a polícia, mas é claro de que nada iria fazer e so ia piorar as coisas. De repente ele desapareceu, e nunca mais ninguém o viu por aqui. E a Liana também tinha demasiado medo para lhe telefonar, até porque já nada havia entre eles.

     Quando a irmã acabou, Sebastian estava sem palavras. Agora tudo fazia mais sentido. Por causa de um... não, três até, filhos de... enfim... ele não podia ter aquilo que Liana lhe tinha para dar.

- E o que achas que posso fazer?

- Tens de lhe provar que não és igual aos outros. Ela está a começar a perceber isso. Que nem todos são como aqueles três.

- Como assim?

- A mãe dela vai casar-se com o namorado de um ano e meio. Foi um choque para a Liana. Ela e a mãe eram tipo "parceiras" em não deixarem nenhum homem entrar na vida delas. Agora a mãe quebrou a "promessa", e está feliz com a decisão. E a Liana começa a questionar se a ideia que ela tem de vocês rapazes nao estará errada.

- O que achas que posso fazer para a convencer de que gosto mesmo dela?

- Eu vou falar mais com ela. Vou fazer de investigadora privada e vou-te dando dicas. Faz de conta que esta conversa nunca existiu. Mas na minha opinião, ela lá no fundo gosta de ti, mas ainda não se apercebeu disso. Eu vou fazer os possiveis para vos ver juntinhos.

     A conversa já ia tão longa que Sebastian e Rita há muito tinham acabado de almoçar e passeavam pelo centro comercial. Despediram-se e Rita foi estudar para casa, enquanto Sebastian telefonava a Liana. Hoje ia começar uma fase nova na relação deles. Ou assim ele o esperava.

 

sinto-me:

publicado por Do outro lado do oceano às 21:59
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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

I. O passado não esquecido.

    

     Os seus cabelos longos, dourados e perfeitamente lisos eram o seu tesouro e motivo de inveja para muitas. A primeira vez que ele ouviu isso da boca dela, duvidou logo.

- Não concordo. Tens muito mais do que cabelos bonitos. Tens os olhos mais cativantes que alguma vi...

     Os olhos de Liana eram de um verde-água e brilhavam seja lá que hora fosse, não reflectiam nunca o seu estado de espírito. Mesmo quando ódio tomava conta dela, os olhos de Liana permaneciam límpidos e brilhantes. Sebastian costumava dizer que gostava que Liana tivesse a alma que os seus olhos transmitiam. A expressão "os olhos são o espelho da alma" não funcionava para a sua atraente namorada.

- Cala-te, nem comeces...

     Sebastian suspirou. É sempre assim. Um elogio a Liana é muito pior do que uma crítica. Principalmente se o elogio vier dele. Mas nada melhor do que um banho para limpar as desgraças do dia.

     Enquanto o seu namorado se despia, Liana olhava-o subtilmente. Namorado... uma palavra que a irritava um tanto. Para ela, um namorado não é igual a gostar de alguém. Não, nunca mais. A primeira vez e a última que isso aconteceu, Liana sofreu e sofreu. Agora, um namorado é alguém com quem ela tem relações por quem se sente atraída. Ponto final, parágrafo.

     Enquanto a água quente corria pelo eu corpo, Sebastian pensava em Liana. O dia em que a conheceu... Através da irmã e muita persistência, ele lá arranjou o seu número de telemóvel. E devido a ainda mais persistência, ela concordou em sair com ele. Definitivamente a primeira saída foi com a esperança que ele a deixasse em paz. Mas Sebastian não se deu por vencido. Depois de uma saída, veio uma segunda e uma terceira. Tudo em Liana o excitava... O corpo dela era tão perfeito que ele pensava que tal beleza não existia numa pessoa só. Mas a verdade excruciante para Sebastian é que desde essas primeiras saídas, pouco mais de Liana lhe tinha sido dado a conhecer. Ou melhor, o corpo de Liana ele acabou por conhecer melhor do que o seu. Mas os segredos dela, os medos, os sonhos, ... O passado! Nada disso Sebastian sabia sobre a sua deusa de cabelos dourados. E até tinha medo de perguntar...

    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

     Liana começou a marcar o número de telefone que sabia de cor.

- Olá Mãe. Como estás?

- Olá Liana, querida, estou óptima! Tenho óptimas novidades! Estás sentada?

     A última vez que que Liana ouviu a sua mãe dizer isto, foi para lhe dizer que tinha arranjado um namorado. Sim, isso mesmo. Um namorado. Carla, agora com 39 anos, foi mãe solteira aos 19. O namorado da altura deixou-a sem nada. Ou melhor, deixou-lhe a sua querida Liana para criar e mimar. E deixou também um alerta para as duas mulheres, que homens não são de confiança. Mas a gota de água foi quando Carla se "esqueceu" do alerta e se envolveu com outro homem, tinha Liana 5 anos, e este as deixou sem dinheiro devido ao vício dos jogos no casino. Depois de um namoro de um ano e meio, Carla esqueceu que o sexo masculino existia. Até à um ano e meio quando Paulo, um empresário de sucesso de 40 anos, entrou em cena.

- Eu e o Paulo... vamos casar-nos!!

     Liana tinha-se esquecido do aviso da mãe para se sentar...

- O quê? mas vocês só se conhecem há...

- Um ano e meio? Achas que é pouco tempo? Filha, foram os meses mais felizes da minha vida! Ele pediu-me ontem, foi tão romântico, deu-me um anel de diamantes com 2,5 kt... E a lua de mel...

     Liana não ouviu mais nada apesar de estar com o auscultador no ouvido. Dois namoros falhados que a sua mãe passou, e um namoro mais do que falhado que Liana tinha passado levaram a que o seu coração fosse reguardado contra desilusões amorosas. E Liana fazia isto sendo fria e não deixando nenhum homem gostar dela. Era o que acontecia em relação a Sebastian.

sinto-me:

publicado por Do outro lado do oceano às 20:55
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